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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2007, 20

19.04.07

O Rio e as Milícias

A cena bizarra oferecida ao povo pelo aparato de segurança do Estado do Rio é deprimente. Além de corrupção generalizada, de violência excessiva, de ineficiência estrutural, temos agora as milícias!

Organização criminosa de agentes do Estado, propõe-se inicialmente como solução na retirada do tráfico e passa em seguida a controlar as comunidades periféricas, promovendo ampla extorsão em troca de “proteção”. Lembra a máfia clássica sem o glamour do cinema e com a cara da decadência do Estado do Rio. É sem dúvida uma crise de grandes proporções, com inúmeros envolvidos na ALERJ, com sólido retorno financeiro e com uma infra-estrutura de impressionar.

A atmosfera de opressão e medo que assola os moradores da Zona Sul da capital fluminense é sentida e vivida há anos nas comunidades periféricas, que foram abandonadas pelo poder público, sendo invadidas pelo crime e tendo se tornado vítimas constantes da matança policial.

O que precisamos é de ações de inteligência, regidas pelo princípio da eficiência e não contaminadas pelas fortes emoções geradas pelas mais bárbaras atrocidades. O Estado não pode se portar como um vingador cego, que a cada choque se torna mais insensível aos problemas do povo e mais próximo das reações fáceis do endurecimento penal.

Endurecer penas, prolongá-las, reduzir a idade penal é a conversão dos ganhos constitucionais e leis subjacentes em letra morta e conservadora.

O Estado deve ocupar as comunidades com esporte, saúde, educação e com geração de perspectiva de dias melhores para nossa juventude.

As milícias são inaceitáveis e precisam implacavelmente ser combatidas, antes que busquemos na Colômbia não só medidas de combate ao crime, mas também a modalidade muito conhecida por lá de paramilitares e da institucionalização da barbárie.

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  • Postado em 23:45:07

Leandro e o aborto

Na política, com o tempo, vamos perdendo a capacidade de nos surpreender com determinadas movimentações. Vendo o noticiário da TV Câmara, deparamo-nos com a seguinte notícia: deputado Leandro Sampaio assume a coordenação da Frente Parlamentar Contra o Aborto. Seria cômico se não fosse trágico!


Por vezes nós comunistas petropolitanos já demonstramos nossas diferenças com esta figura, tanto nos compromissos programáticos quanto nos valores éticos. Somos de fato diferentes.


A Frente Parlamentar Contra o Aborto reúne desde a parcela mais obscurantista do criacionismo contemporâneo até oportunistas de primeira hora, por seu apelo eleitoral na camada mais moralista e conservadora de nossa sociedade. A Frente tem como norte o slogan “Em defesa da vida”, e aí sem dúvida começam suas contradições.


Não nos bateremos por voltar ao debate bioético, pois temos no Brasil os termos limitantes para esta discussão intrínsecos na lei. É considerado morto aquele que tiver a falência completa das atividades cerebrais, sendo por extensão o início da vida o princípio de tais atividades.


O que queremos é estabelecer inicialmente o que convém chamarmos da contradição em termos do slogan da Frente, ou seja, demonstrando que é preciso aprofundarmos a discussão em busca de que vida tal Frente diz defender no cotidiano, na realidade concreta.


Se for verdade que há vidas em jogo quando falamos de aborto, é preciso então fazermos um apanhado anterior. É fato: mulheres brasileiras fazem aborto clandestinamente. Essa realidade se não for explicada pode trazer mais escuridão do que luz, pois por si só, não comporta a complexidade do fato.


O aborto praticado nas clínicas clandestinas move milhões de reais, tem como clientes as classes dominantes e as camadas médias, realiza-se com a blindagem de parlamentares (e aqui aparecem os lobos em pele de cordeiros) e carregam a legitimação de uma sociedade que faz fingindo que não vê. Comporta ainda a marca da exclusão, pois fazer aborto seguro em clínicas de luxo é muito caro; isso significa que uma massa gigantesca de mulheres que opta cotidianamente pela interrupação da gravidez fica à mercê de “curandeiros” e “rezadeiras”, dos Citotecs vendidos em camelô e dos “açougues” (clínicas clandestinas de péssima qualidade).


Estamos falando que uma parcela das mulheres brasileira tem o direito de fato a uma interrupação da gravidez segura e assistida, e uma parcela das mulheres brasileiras, a maioria, as pobres, não. Sem falar das que, não tendo acesso nem mesmo a essas absurdas alternativas citadas anteriormente, tentam realizar o aborto sozinhas, na maioria das vezes se mutilando, e em alguns casos chegando à morte. Pela primeira vez perguntamos: Frente em defesa da vida de quem?


Na nossa opinião, cabe a defesa da vida de uma parcela importante das mulheres deste país, que devem ter o direito de fazer o aborto com a segurança proporcionada pelo estado, como política pública de saúde.
Se nós que defendemos a descriminalização do aborto somos chamados de assassinos, o que serão aqueles que fecham os olhos para essa tragédia das mulheres pobres deste país? Assumimos de peito aberto: Somos pela descriminalização do aborto, defendemos a vida das mulheres pobres deste país!


Quanto ao Leandro, esse ardoroso defensor da vida, é a cara desta Frente! O atraso anda mesmo de mão dada.


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  • Postado em 23:39:09

Lula: Amazonas o exemplo de sempre




“O PCdoB tem demonstrado a mais extraordinária lealdade em relação ao governo, em relação ao PT e, sobretudo, comigo”. Estas são as palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dirigidas ao partido por conta dos seus 85 anos. O presidente lembrou, com carinho especial, do papel de João Amazonas em sua trajetória, em especial nas eleições de 1989.



Lula e Amazonas em 1989
Apesar de os comunistas manterem duras críticas a diversas posições defendidas pelo governo Lula – como a condução da política econômica, a reforma da Previdência e a reforma trabalhista –, o partido permanece na base aliada, apoiando o governo.


O presidente chamou atenção também para o deputado federal Aldo Rebelo. “É um motivo de grande orgulho para mim ter tido, em meu primeiro mandato, o companheiro Aldo Rebelo como líder do governo, depois como articulador político e então como primeiro presidente comunista da Câmara dos Deputados. Escrevemos outra página da História naquele momento”. O presidente também citou o ex-ministro Agnelo Queiroz e o atual ministro dos Esportes, Orlando Silva, que chamou de “quadros excepcionais”. Para Lula, “o PCdoB é hoje um partido maduro, articulado e profissional, que pode contribuir cada vez mais para o desenvolvimento econômico e social do Brasil”.


Lula foi além da relação governo-partido e declarou ser “grato aos companheiros do PCdoB pelo que fazem cotidianamente pelo país, na Câmara dos Deputados, no movimento sindical ou no movimento estudantil. Isso tudo é apenas uma parte dos elogios que o partido merece”.



“Companheiro, não desanime”



O presidente também recordou do líder comunista João Amazonas, morto em 27 de maio de 2002. “Aprendi a conviver com o João Amazonas desde a campanha de 1989 e me lembro especialmente de um momento difícil, quando estávamos lá embaixo nas pesquisas, e seu apoio foi fundamental”, disse. “Estávamos conversando no Largo da Batata, em Pinheiros, na capital paulista. Eu, angustiado com os rumos da eleição e o João me dizendo: ‘Companheiro, não desanime. Neste momento, nós temos que escolher o nosso público. E o teu público, Lula, é a classe operária brasileira. Fale para eles’”, lembrou o presidente. “Não vencemos naquele ano, mas tenho para mim que escrevemos em 89 uma bela página da história das campanhas eleitorais do país”.


Segundo o presidente, “João Amazonas é um exemplo que sempre me vem à lembrança. Quando a coisa estava para pegar fogo, ele aparecia com aquela voz tranqüila e colocava todo o mundo nos eixos. João foi a primeira pessoa que me convenceu de que em política nem sempre a gente realiza aquilo que deseja, mas aquilo que é possível realizar”. Lula disse também que Amazonas o ensinou “que é preciso lutar ao lado das classes trabalhadoras, mas compondo alianças políticas junto a setores empresariais nacionalistas. Foi isso que nos possibilitou vencer as eleições de 2002 e de 2006”.


De São Paulo,
Priscila Lobregatte, com Rita Polli, de Brasília


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  • Postado em 22:21:46